Recinto

Como as coisas andam...
E eu aqui, preso,
Intacto em meu quarto
Enquanto as coisas mudam.

Sem participar da vida,
A vida passa no vazio.
Bitolado em meus livros,
Em meus teoremas

As impressões são diferentes,
Em meu quarto, as verdades são distintas,
E eu aqui, preso neste quarto,
Encarcerado à estética individual.

São páginas e mais;
São folhas;
São folhas grafadas;
São o poço que me satisfaz.

Mas será que são verdades ?
Será ? Não sei se posso
Aplicar às paredes de meu quarto,
Não sei se são realidades.

Mas tanto conhecimento
Desprende-me da alusão
Dos processos, da ação.
Mas posso aplicá-los às paredes de meu quarto,
No momento ?

Dinâmico não pára.
O processo é contínuo,
É dinâmico o processo.
E eu aqui, preso ainda menino;
Em meu quarto não posso brotar.

Alguma exatidão
Existe, é correto pensar
Nas paredes inertes.
Nelas posso até minha mente projetar.

Enquanto eu ficar
Restrito ao cubo-masmorra,
Desprovido de prática
Serei indefinido.
E a verdade me assola.


Voltar à relação de Poesias Avulsas
Voltar à página inicial